A igualdade de Género não é um Fim, mas um Ponto de Partida
O Papel dos projetos europeus STAR Girls e LeadHER
A igualdade de género é um pilar de desenvolvimento sustentável e competitividade económica, mas apesar dos progressos das últimas décadas, as mulheres continuam sub-representadas nas áreas STEM. É neste contexto que surgem os projetos europeus STAR Girls e LeadHER que, com participação da INOVA+, promovem a representação feminina na educação, formação e indústria.

Setores ainda dominados por homens
A igualdade de género é amplamente reconhecida como um pilar de desenvolvimento sustentável e da competitividade económica. De acordo com o Instituto Europeu para a Igualdade de Género (EIGE, 2017), trata-se de um fator determinante para a resiliência a longo-prazo dos setores estratégicos e para o crescimento económico dos países – particularmente naqueles onde os níveis de igualdade permanecem mais baixos, como é o caso de Portugal.
Mas, apesar dos progressos registados nas últimas décadas, as mulheres continuam sub-representadas nas áreas STEM (Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática). Segundo dados do Eurostat (2022), apenas uma em cada três pessoas diplomadas em áreas STEM na Europa é mulher. No setor das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC), esta proporção desce para uma em cada cinco (Digital Decade Progress Report, 2024). No setor das Energias Renováveis, apenas 32% dos cargos são ocupados por mulheres.
Este desequilíbrio é ainda mais evidente nos cargos de gestão e liderança, apesar das mulheres representarem a maioria da população com formação superior (European Commission, 2025). A desigualdade não se limita, portanto, ao acesso à educação, mas estende-se à progressão e permanência nas carreiras técnicas e tecnológicas.
É, neste contexto, que surgem os projetos europeus STAR Girls e LeadHER, dos quais a INOVA+ é parceira. Ambos partilham o objetivo de promover a representação feminina na educação, formação e indústria através de programas de mentoria, embora com focos setoriais distintos:
- STAR Girls – Energias Limpas e Renováveis
- LeadHER – Tecnologias de Informação e Comunicação
O relatório mais recente do STAR Girls (“Blueprint: Impeding and Facilitating Factors for Girls selecting Studies in Clean Energy Sector”) destaca o papel fundamental de tutores e mentores durante estágios e primeiras experiências profissionais, enquanto catalisadores para a continuidade das mulheres em carreiras técnicas. Mesmo em contextos onde existem políticas de igualdade, os estereótipos, as microdiscriminações e a perceção das áreas STEM como “masculinas” continuam a influenciar as escolhas, a autoconfiança e o sentimento de pertença das mulheres.
Esta experiência é identificada no relatório global do LeadHER (“Bridging the Gender Gap in ICT: Insights and Strategies for Inclusive Education”), como “paradoxo de acesso“: apesar das políticas educativas e os currículos terem tornado as TIC formalmente mais acessíveis, o sentimento psicológico de pertença das raparigas permanece reduzido. Muitas jovens tendem a subestimar as suas competências e a hesitar em assumir papéis de liderança em projetos técnicos, mesmo apresentando níveis de desempenho semelhantes aos dos seus colegas do sexo masculino.
Entre as principais recomendações dos estudos destacam-se:
Setores resilientes e o potencial da mentoria
Diversos estudos europeus e internacionais demonstram o impacto positivo da mentoria no sucesso académico e profissional, bem como o efeito particularmente transformador da presença de mulheres mentoras (Moghe et al., 2021). Flexibilidade, comunicação e confiança são características-chave na relação entre mentores-mentorados (Hund et al., 2018).
Contudo, quando se trata de grupos sub-representados, é essencial adotar uma postura interseccional, Scott e Nukrumah (2022) alertam que muitos programas tendem a focar-se numa lógica de “correção do défice” procurando adaptar as jovens a sistemas existentes, em vez de questionar e transformar as estruturas que geram desigualdade.
Os projetos STAR Girls e LeadHER assumem, assim, uma abordagem interseccional, feminista e transformadora, centrada nos sistemas que excluem e nas condições que permitem que jovens mulheres possam aceder, permanecer e prosperar em estudos e carreiras ligadas à Energia e às TIC.
O todo é maior que a soma das partes: uma abordagem integrada
O alcance de metas nacionais e europeias para a igualdade de género requer uma abordagem de Hélix Quádrupla (Q-Hélix), com o envolvimento de decisores políticos, representantes da educação e academia, líderes de indústria e organizações da comunidade civil.
Embora ambos os projetos incidam prioritariamente no setor da educação e formação, a sua metodologia assenta numa lógica integrada e colaborativa, envolvendo todos os atores da Q-Hélix no desenho, implementação e futura exploração das soluções desenvolvidas. Esta visão partilhada e transdisciplinar potencia impactos mais sustentáveis e sistémicos.
Sobre os Projetos
STAR Girls
O projeto STAR Girls é uma iniciativa europeia que procura aumentar a participação feminina no setor das energias limpas e renováveis. O projeto combina mentoria e políticas experimentais para inspirar, apoiar e empoderar jovens mulheres a prosseguirem carreiras na área da transição ecológica.
Para se candidatar como mentora, mais informações aqui.
LeadHER
O projeto LeadHER tem como objetivo principal combater barreiras que impedem as raparigas de seguir estudos e carreiras na área das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC), promovendo a igualdade de género no setor. Através de uma abordagem educativa inclusiva, integra programas de mentoria, formação para professores e envolvimento das famílias e da comunidade. Ao ligar as raparigas a modelos femininos de referência, o projeto promove a ideia de que “qualquer pessoa pode ser um exemplo a seguir”, criando oportunidades para um futuro mais justo e diverso nas tecnologias.