A INOVA+ está a consolidar a sua posição como empresa portuguesa mais ativa nas Missões do programa Horizonte Europa, com a participação em quatro projetos de Adaptação às Alterações Climáticas: GRACE, DesirMED, MountResilience e RESIST. Em conjunto, estas iniciativas cobrem áreas rurais remotas, regiões mediterrânicas, zonas de montanha e demonstrações de larga escala em várias regiões europeias
O mais recente destes projetos, GRACE – Growing Climate Resilience in Remote rural Areas through Community Empowerment, arrancou em outubro de 2025 e coloca o foco nas comunidades rurais remotas da União Europeia, frequentemente na linha da frente dos impactos climáticos, mas com menos meios para lhes responder.
GRACE: resiliência climática para áreas rurais esquecidas
O GRACE, financiado ao abrigo do tópico HORIZON-MISS-2024-CLIMA-01-07, é uma Ação de Inovação com 48 meses de duração, um orçamento total de quase 8 milhões de euros e um consórcio de 27 organizações de 16 países, coordenado pela CMCC – Fondazione Centro Euro-Mediterraneo sui Cambiamenti Climatici, em Itália.
O objetivo central é claro: responder às necessidades de comunidades pequenas e médias em áreas rurais remotas, fortalecendo capacidades locais para a adaptação às alterações climáticas. Estas regiões dependem de recursos naturais, enfrentam défices de investimento e perda de população e estão particularmente expostas a fenómenos extremos, num contexto em que a Europa aquece mais depressa do que outros continentes.
O projeto trabalha com cinco regiões demonstradoras — Baixo Alentejo (Portugal), Cavallino-Treporti (Itália), Bucklige Welt – Wechselland (Áustria), Limfjorden (Dinamarca) e Västerbotten (Suécia) — e cinco regiões de replicação na Grécia, Eslováquia, Irlanda, Letónia e Ucrânia. A aposta recai em soluções baseadas na natureza, tecnologias digitais e novos modelos de economia circular, com o objetivo de gerar benefícios ambientais, sociais e económicos, enquanto se combate o despovoamento e o envelhecimento destas comunidades.
A INOVA+ teve um papel ativo na fase de candidatura, co-desenvolvendo a proposta com a CMCC e organizando o piloto português. Já na implementação, assume a co-liderança de um work package dedicado à capacitação regional e à escalabilidade das soluções. Entre as tarefas atribuídas estão a ativação de Rural Climate Resilience Groups em dez regiões, a elaboração de um roteiro para a demonstração de ações de adaptação climática, a preparação de uma estratégia de upscaling e a coordenação de trocas de conhecimento entre regiões. Em Portugal, a empresa coordena ainda a intervenção da Comunidade Intermunicipal do Baixo Alentejo, do Instituto Politécnico de Beja e da Estação Biológica de Mértola.
DesirMED: soluções baseadas na natureza no “hotspot” climático mediterrânico
Se o GRACE olha para o mundo rural remoto, o DesirMED – Demonstration and mainstrEaming of nature-based Solutions for climate Resilient transformation in the MEDiterranean concentra-se no Mediterrâneo, identificado como um dos principais “hotspots” climáticos à escala europeia.
Financiado ao abrigo do tópico HORIZON-MISS-2022-CLIMA-01-06, o projeto arrancou a 1 de janeiro de 2024, tem 60 meses de duração e é coordenado, novamente, pela CMCC. Participam 34 organizações de 10 países, com um orçamento total de cerca de 18 milhões de euros.
O DesirMED propõe-se reforçar o conhecimento e as capacidades das regiões mediterrânicas para que estas assumam a liderança dos seus próprios percursos de adaptação, através de Transformative Adaptation Journeys. A lógica é passar de respostas pontuais para percursos estruturados, que combinem Nature-based Solutions, tecnologias inovadoras e práticas sociais inclusivas, em linha com os principais quadros europeus de adaptação e gestão ambiental.
No terreno, o projeto trabalha com cinco regiões demonstradoras — entre as quais a Comunidade Intermunicipal das Beiras e Serra da Estrela, em Portugal, bem como regiões em Espanha, Itália, Croácia e Grécia — e três regiões de replicação, em França, Itália (Potenza) e Chipre.
A INOVA+ volta a desempenhar um papel determinante, após ter participado na elaboração da candidatura. Na execução, é co-líder de um work package focado na escalabilidade das soluções e na financiabilidade dasNature-based Solutions no Mediterrâneo, desenvolvendo planos de escalabilidade em oito regiões, estudando o estado atual do financiamento e criando modelos de negócio para soluções de adaptação climática testadas nos demonstradores. Em Portugal, coordena as atividades desenvolvidas com o Município do Fundão, a CIM das Beiras e Serra da Estrela, o Instituto Politécnico de Castelo Branco e a Associação para um Centro de Estudos em Desenvolvimento Sustentável.
O projeto surge ainda ligado ao MountResilience, com o qual partilha tópico de financiamento, funcionando como “projetos-irmãos” focados em duas bioregiões distintas: Mediterrâneo e região alpina/montanhosa.
MountResilience: quando o clima sobe à montanha
O MountResilience – Empowering mountain communities for climate resilience dirige-se às regiões de montanha europeias, onde os impactos climáticos se manifestam de forma particularmente intensa. As montanhas cobrem 30% da superfície terrestre e acolhem cerca de 17% da população da União Europeia, fornecendo recursos essenciais e suportando sistemas comunitários, mas enfrentando também défices de adaptação.
Tal como o DesirMED, o MountResilience é financiado pelo tópico HORIZON-MISS-2022-CLIMA-01-06. O projeto começou a 1 de setembro de 2023, tem 54 meses de duração, é coordenado pela Università degli Studi di Milano e envolve 47 organizações de 12 países, com um orçamento total de quase 16 milhões de euros (15,17 milhões de contribuição europeia).
O consórcio trabalha com seis regiões demonstradoras em países como Finlândia, Áustria, Itália, Roménia, Bulgária e Suíça, e quatro regiões de replicação em Espanha, Itália, Croácia e Polónia. A abordagem passa pela conceptualização, teste e escalabilidade de soluções de adaptação climática que combinam inovação tecnológica, Nature-based Solutions, governação multinível e envolvimento de cidadãos. Um dos casos mais recentes a ganhar destaque foi o da Roménia, que deu origem a uma “Adaptation Story” na plataforma EU Climate ADAPT, sinal da visibilidade que o projeto começa a alcançar.
Na arquitetura do MountResilience, a INOVA+ assume responsabilidades centrais: é líder do work package de Transferência de Conhecimento, Partilha Cruzada de Experiências e Replicação, responsável pela plataforma inter-regional de troca de conhecimento entre demonstradores, pelos Replication Labs e pela Comunidade de Prática que visa alargar o impacto do projeto para além das regiões diretamente envolvidas. Em paralelo, é co-líder do work package de gestão, com responsabilidades na componente administrativa, financeira, de controlo de qualidade, gestão de risco e inovação.
RESIST: demonstradores de larga escala como ponto de partida
O percurso recente da INOVA+ na Missão de Adaptação às Alterações Climáticas teve um momento decisivo com o RESIST – Regions for climate change resilience through Innovation, Science and Technology, considerado um dos primeiros grandes projetos de resiliência climática aprovados ao abrigo do programa Horizonte Europa.
Com início a 1 de janeiro de 2023, o RESIST dispõe de um orçamento de cerca de 25 milhões de euros para a implementação, ao longo de cinco anos, de quatro demonstradores de larga escala em regiões da Centro de Portugal, Catalunha, Sudeste da Finlândia e Região Central da Dinamarca. Os resultados serão depois transferidos para oito regiões de geminação, entre as quais o Baixo Alentejo, através de atividades imersivas presenciais e digitais.
O consórcio é composto por 56 parceiros, incluindo 11 entidades portuguesas responsáveis pela gestão de cerca de 5 milhões de euros. Entre as organizações envolvidas contam-se a INOVA+, a Comissão de Coordenação da Região Centro, várias comunidades intermunicipais, institutos politécnicos, centros de investigação e entidades ligadas à inovação. A estrutura inclui ainda associações europeias, grupos de investigação em alterações climáticas, organizações de comunicação e um fundo de capital de risco, numa tentativa de assegurar que as soluções desenvolvidas podem chegar ao mercado e ser adotadas por cidadãos e decisores.
Os objetivos operacionais são ambiciosos e quantificados: aumentar a resiliência regional em 10%, elevar os investimentos verdes em 20%, reduzir as perdas económicas provocadas por perigos como inundações em 14% e diminuir em 50% a falta de proteção climática. O projeto pretende ainda reduzir o tempo de colocação no mercado e o risco associado a 100 novas soluções de combate às alterações climáticas desenvolvidas por fornecedores europeus.
Presença em várias frentes da adaptação climática europeia
Vistos em conjunto, GRACE, DesirMED, MountResilience e RESIST desenham um mapa da atuação da INOVA+ na adaptação climática europeia: das áreas rurais remotas às regiões mediterrânicas, passando pelas zonas de montanha e pelos demonstradores de larga escala em múltiplos Estados-Membros.
Em todos estes projetos, a empresa surge ligada a funções de conceção de propostas, coordenação de work packages, gestão financeira e técnica, transferência de conhecimento e replicação de soluções, bem como à articulação entre parceiros nacionais e internacionais. Numa altura em que a Comissão Europeia procura apoiar pelo menos 150 regiões e comunidades na transição para a resiliência climática, a presença da INOVA+ neste conjunto de iniciativas ilustra o peso crescente da consultora portuguesa nos grandes consórcios europeus dedicados à resposta às alterações climáticas.
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