Ecossistema de Inovação Territorial: Uma resposta urgente à calamidade climática na região Centro
A calamidade que hoje se vive na região Centro não é apenas um episódio trágico ou um acontecimento excecional. É, infelizmente, um sinal claro da nova realidade climática que enfrentamos. Incêndios devastadores, cheias repentinas, secas prolongadas e fenómenos extremos tornaram-se cada vez mais frequentes colocando em causa a segurança das populações, a estabilidade económica e a sustentabilidade do território.

Estamos apenas a reagir ou estamos verdadeiramente a preparar o território para o futuro?
As respostas de emergência são indispensáveis, mas não suficientes. A crise climática exige mais do que intervenções pontuais. Exige visão estratégica, coordenação e transformação estrutural. E exige, sobretudo, que os apoios disponíveis sejam aplicados de forma inteligente, orientados para a resiliência e não apenas para a recuperação imediata.
Neste contexto, os fundos europeus assumem um papel determinante. A União Europeia lançou, através do programa Horizonte Europa, missões dedicadas à adaptação às alterações climáticas e à neutralidade climática das cidades, com o objetivo de apoiar territórios vulneráveis na implementação de soluções concretas e replicáveis.
A INOVA+, enquanto organização com forte ligação ao desenvolvimento regional e à mobilização de financiamento europeu, tem vindo a participar ativamente em projetos no âmbito destas Missões do Horizonte Europa, contribuindo para aproximar o conhecimento, a inovação e os recursos das necessidades reais do território.
Um exemplo concreto da forma como a inovação orientada para o território pode responder às vulnerabilidades climáticas é o projeto RESIST (Regions for climate change resilience through Innovation, Science and Technology), financiado pela União Europeia no âmbito das missões do Horizonte Europa para adaptação às alterações climáticas. Neste consórcio de 60 parceiros de 12 regiões europeias, a INOVA+ participa ativamente, em colaboração com várias organizações da região Centro de Portugal, na co-criação, demonstração e transferência de soluções inovadoras de adaptação climática para o território. Em particular, o RESIST está a desenvolver demonstradores na Região de Coimbra e no Médio Tejo, testando novas práticas de gestão florestal, utilização sustentável do solo e valorização de bioresíduos que reforçam a resiliência às alterações climáticas e promovem modelos de governação inovadores adaptados às necessidades locais.
O grande desafio está agora em garantir que os apoios financeiros — europeus, nacionais e regionais — são canalizados de forma estratégica para iniciativas estruturantes: soluções baseadas na natureza, gestão sustentável da floresta, adaptação urbana, infraestruturas resilientes e inovação tecnológica e social aplicada aos problemas concretos das comunidades.
Mais do que reconstruir o que foi perdido, importa construir melhor.
É aqui que os ecossistemas territoriais de inovação podem desempenhar um papel decisivo. Quando autarquias, comunidades intermunicipais, universidades, centros de investigação, empresas, associações e cidadãos trabalham em conjunto, criam-se condições para testar soluções em contexto real, acelerar a transformação económica e reforçar a capacidade de resposta a futuras crises.
A região Centro, pela dinâmica dos seus atores, é um verdadeiro laboratório vivo de inovação climática. É essencial que a inovação produzida não fique confinada aos grandes centros: ela tem de estar enraizada no território, orientada para as suas vulnerabilidades e construída com as suas comunidades.
A calamidade que enfrentamos hoje é um alerta duro, mas pode também ser um ponto de viragem. Se soubermos mobilizar os apoios, dinamizar ecossistemas colaborativos e colocar a inovação ao serviço das pessoas, podemos transformar crise em oportunidade e vulnerabilidade em resiliência.
O futuro será mais exigente. A questão é se estaremos preparados.
