INOVA+ conduz estudo sobre Formação em Contexto de Trabalho

Resultados do estudo sobre Formação em Contexto de Trabalho desenvolvido pela INOVA+, no âmbito do projeto WBL Champion, destacam pontos fortes, desafios e oportunidades para reforçar a ligação entre educação e mercado de trabalho.

Um estudo do projeto Work-Based Learning (WBL) Champion, financiado pelo Erasmus+ e conduzido pela INOVA+, analisa a Formação em Contexto de Trabalho (FCT) em Portugal, Malta, Itália e Irlanda. O retrato aponta exemplos de cooperação sólida entre ensino e empresas, mas identifica entraves que continuam a limitar a escala e o impacto da aprendizagem prática.

Entre boas práticas e bloqueios: o retrato da FCT em Portugal

Em Portugal, várias instituições de ensino integram a FCT nos seus programas. Iniciativas como os Estágios Curriculares em Contexto Empresarial (ECCE), da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, o SIQRH – Formação Empresarial Individual – Programas de Clusters (financiado pelo COMPETE 2030) e o INNOVATIVE CAR HMI, da Universidade do Minho, evidenciam colaboração relevante entre ensino e empresas, com impacto na inovação, empregabilidade e ligação à indústria.

Ainda assim, o estudo — que envolveu docentes universitários, representantes de PMEs e profissionais do sistema de formação profissional, entre outros — identifica desafios importantes. O principal obstáculo é a baixa participação das empresas na oferta e acolhimento de programas de FCT, apontada por 64% dos participantes. Seguem-se a falta de conhecimento e divulgação (56%) e o financiamento insuficiente (48%), fatores que comprometem a implementação, a escalabilidade e a sustentabilidade dos programas.

O relatório aponta ainda desconformidade entre currículos e necessidades do mercado, além de burocracia e complexidade administrativa (28%), defendendo processos mais simples. No campo digital, a adoção permanece limitada: apenas 28% dizem conhecer ou usar ferramentas como plataformas de gestão de aprendizagem, Google Workspace ou Microsoft Teams, citando custos elevados, resistência à mudança, falta de infraestrutura digital e barreiras linguísticas.

Governança e qualidade: o que falta consolidar e o que o projeto vai entregar

Em Portugal, a FCT é assegurada por várias estruturas: o Sistema Nacional de Qualificações (SNQ), gerido pela ANQEP, o IEFP, que regula programas de estágio e formação profissional, e a DGEstE, responsável pela FCT nas escolas secundárias. No ensino superior, universidades e politécnicos têm autonomia para integrar a FCT, apoiados por regulamentação específica, mas o relatório sugere a criação de uma entidade reguladora própria para reduzir lacunas de coordenação e padronizar a qualidade.

No âmbito do WBL Champion, a INOVA+ lidera a produção de relatórios nacionais e internacionais sobre políticas nacionais e europeias relacionadas com a FCT e está também responsável pelo desenvolvimento de um Kit de Ferramentas de Garantia de Qualidade para cursos de ensino superior que integrem esta componente. Em paralelo, o projeto está a avançar com um Quadro de Garantia de Qualidade, o reforço do desenvolvimento profissional contínuo e uma Plataforma Digital de apoio à FCT, com conteúdos, ferramentas de gestão da aprendizagem e acompanhamento do progresso.

Para mais informações e para descarregar o relatório completo, visite o website do projeto WBL Champion.