Perspetivas e Tendências de Inovação para 2026
Num mundo em rápida mudança, 2026 deverá marcar o início de um novo ciclo de investimento europeu em inovação, com foco em áreas estratégicas como inteligência artificial, semicondutores, baterias e, claro, defesa. Perante tensões globais e a necessidade de autonomia, a colaboração europeia ganha escala e urgência. Para quem estiver preparado, com propostas de excelência e parcerias fortes ao longo das cadeias de valor, abre-se uma janela decisiva de oportunidade.

O futuro ficou ainda mais difícil de antecipar
Perspetivar o futuro nunca foi um exercício fácil, que o diga o Zandiga, para aqueles que se lembram dele dos anos 80: nunca conseguiu sequer adivinhar um campeão nacional de futebol, numa altura em que isso nem era assim tão difícil. Mas olhar para o futuro e prever tendências está agora muito mais complicado.
Pediram-me este artigo em finais de dezembro. Estou a escrevê-lo já no início de janeiro de 2026, ou seja, depois da operação americana na Venezuela, que nos fez acordar num mundo (ainda mais) diferente daquele a que durante muitos anos estivemos habituados. A única certeza por estes dias parece ser a de que, a cada viragem de ano, as coisas serão bastante diferentes no ano seguinte. Melhores ou piores é, contudo, como sempre, uma questão da perspetiva por onde olhemos e, claro, do grau de preparação que possamos ter.
A colaboração europeia como necessidade estratégica
A INOVA+ tem-se destacado como empresa líder na preparação, gestão e implementação de projetos europeus de inovação, nomeadamente no âmbito do programa Horizon Europe, que implementa a política comum de inovação e investigação, sendo mesmo uma das principais empresas europeias nesta área. Numa altura em que a Europa vive tempos atribulados, que muitos consideram poderem pôr em causa os fundamentos do projeto europeu, isto não significa que olhemos para esta que é a nossa principal área de atividade com preocupação — muito pelo contrário.
Os mais recentes acontecimentos só vêm reforçar a necessidade da colaboração europeia na inovação e competitividade, como forma de ganhar escala e assegurar autonomia em áreas tão estratégicas como as baterias, os semicondutores, a inteligência artificial e, claro, a defesa e segurança. Isto já sem falar da consultadoria estratégica, onde continuamos fortemente dependentes de empresas externas.
Qualquer que seja a forma que o projeto europeu venha a tomar no futuro, a colaboração entre países para uma inovação europeia de excelência — tanto para fins civis como para fins militares — será, sem dúvida, um dos seus pilares e uma das suas prioridades estratégicas. Qualquer outra opção implicaria uma perda de competitividade e autonomia que a Europa, os seus estados-membros e os seus cidadãos não estão dispostos a aceitar de ânimo leve.
Um novo ciclo de investimento em inovação
Numa altura em que nos aproximamos de um fim de ciclo em termos de fundos europeus, e em que um novo ciclo está já numa fase final de preparação, é de esperar um forte reforço do investimento europeu na inovação. Esse reforço deverá começar já em 2026 e acentuar-se em 2027 e 2028, com o início do novo ciclo.
Por um lado, com um novo e reforçado programa Horizon para inovação civil ou dual-use, incluindo uma forte aposta em áreas como a inteligência artificial, a microeletrónica e os semicondutores, bem como na indústria de baterias. Por outro, com o surgimento de um novo programa de escala semelhante nas áreas da defesa e segurança, no espaço até agora ocupado apenas pelo European Defense Fund, um programa de reduzida dimensão à escala europeia.
Esta multiplicação do investimento em inovação será, seguramente, feita à custa de sacrifícios noutras áreas, tanto à escala europeia como nacional (já que o orçamento comunitário provém dos estados-membros). Será positiva, sobretudo, para quem conseguir apresentar propostas de excelência e construir redes de parceria com efeito de escala, através da Europa e ao longo das cadeias de valor, envolvendo recursos de investigação, meios de produção, espaços de teste em ambiente real e utilizadores finais.
Da parte da INOVA+, estas competências muito específicas têm vindo a ser desenvolvidas desde 1998, ano em que entrámos no nosso primeiro projeto europeu, e ao longo dos últimos 27 anos, culminando numa posição líder na Europa em termos de participação em missões europeias de grande escala. Por isso, sentimo-nos preparados para os enormes desafios que a Europa em geral, e as organizações portuguesas em particular, esperam deste novo mundo em que, quase de repente, nos descobrimos.
Já que estamos nele, vamos então ao que tem de ser feito — e vamos fazê-lo bem.
